" É feliz quem a Deus se entrega e orienta seus passos no Senhor! " (sal 1)

Páginas

24 de dezembro de 2010

CATEQUESE DOS DIVORCIADOS


Na ânsia de combater um matrimonio irregular, muitos esquecem a justiça e a caridade. 
***
Estava irada e tinha razão aquela senhora a quem o padre proibiu de comungar porque vivia há quinze anos com um homem divorciado, evangélico. 
Disse: "o Senhor não me perguntou com quem eu me casei e como foi o casamento. Só jogou o livro da lei na minha cara. Mas o evangelho é diferente deste seu livro. Eu tinha dezesseis anos, morava na roça, casei com medo de meus pais, o padre que fez os papéis e que vinha lá nem conversou comigo. Na cerimônia fez aquela pergunta e eu tremia de medo. Falei chorando que sim. E fui morar na casa do filho do patrão que já me tinha violentado. 
Ele cuspia em mim, quebrou meu queixo com uma garrafa, me fez abortar com um chute e duas vezes me ameaçou com uma faca. Fui embora e fugi dele. 
Aqui na cidade achei um homem bom que me deu dois filhos lindos, vivemos em paz, nossos filhos freqüentam a catequese, ele respeita nossa religião, e eu sou voluntária no hospital do câncer. Agora o senhor me diz que não posso comungar na primeira comunhão de minha filha, porque não estou com meu ex-marido?"
***

Errou o padre. Esquecera de averiguar se ela ao menos esteve casada de verdade. Porque na Igreja existe um Direito Canônico que leva em consideração a pessoa que é vítima. Averiguada a história dela, provavelmente daria resposta diferente, porque a palavra de Deus propõe vida e não morte. Na ânsia de combater uma situação matrimonial irregular, esqueceu a justiça e a caridade. 
Se, mesmo assim, ela não pudesse comungar, deveria encontrar palavras certas e serenizadoras para esta pessoa ferida na alma: nunca com uma frase dura, afastá-la do pão da vida.

- Sua situação matrimonial é errada. A senhora não está vivendo como católica. Não pode comungar...

O padre pecou.

Jesus que soube conversar com a Samaritana (Jo 4,1ss) não diria o mesmo. Ela tivera cinco homens e agora vivia com um sexto. Jesus não jogou os rolos da lei na sua cabeça. Dialogou. E mudou a vida dela. 

A Igreja põe enorme peso na pastoral do matrimônio porque casamento é coisa séria. Mas há hoje na Igreja uma abertura e uma disposição muito grande ao diálogo com pessoas cujo matrimônio não deu certo. Não significa que todos terão chance de comungar, casar de novo, regularizar sua situação. Mas muitíssimos casos encontrarão reposta amiga, sobretudo se verificadas as circunstâncias em que a pessoa se casou e como viveu aquele casamento.

Os católicos divorciados e separados não se deixem levar por preconceitos, nem os seus, nem os dos outros. Perdoem os sacerdotes que ainda os tratam com dureza e os mandam embora com respostas secas. Compreendam, se o padre amigo e compreensivo lhes diz não. Ele não pode adaptar as leis da Igreja ao seu caso particular. Mas pode oferecer, em nome da Igreja, muito mais ternura e paz do que vocês dois possam imaginar. 
A pastoral do matrimônio tem hoje um lugar para os divorciados. A Igreja nunca vai achar o divórcio uma coisa normal. Mas pode tratar com respeito e amizade um católico cujo casamento não deu certo. 
Procure os padres encarregados desse assunto.Todas as dioceses tem tribunais e padres designados para isso. Não tome nenhuma decisão sem conversar com eles. São advogados que estudarão seu caso e tratarão você com o maior respeito. Arrisque-se. 
Talvez ouça um não, mas verá que sua Igreja não faz pouco caso dos divorciados. Uma coisa é defender o vinculo matrimonial. Outra é maltratar o divorciado. Esse direito ninguém tem.

  Pe. Zezinho, scj 


0 comentários: