" É feliz quem a Deus se entrega e orienta seus passos no Senhor! " (sal 1)

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14 de novembro de 2015

ECOLOGIA DE DEUS

Deus criou tudo o que existe.
Aos vegetais e animais deu um sopro de vida natural.
Ao homem, além dessa vida natural, deu uma alma imortal.
A flor nasce num dia e morre no outro. Os animais duram o seu tempo e também morrem sem deixar alma. Mas servindo de alimento ao homem, servem para aquilo que foram criados, e assim a vida se perpetua.
A vida natural alcança sentido e utilidade quando morre para servir de alimento.
Jesus disse: “se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”(Jo 12, 24).
Isso vale também para a vida humana: a vida natural é passageira e deve ser doada pelos outros. Não foi o que Jesus nos ensinou? “Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 24), disse Ele.
Jesus sacrificou-se e deu-nos por alimento o Seu próprio Corpo Eucarístico: “Eu sou o pão da vida. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 48.51c.54). Como Maria aos pés da cruz, aceitemos esse alimento que nos salva!
Hoje muitos dizem que não devemos sacrificar animais para a alimentação. Pensam não ser “justo”. Ignoram a ordem da criação de Deus e o sentido da vida. Entretanto, o CIC¹ diz que “é legítimo servir-se dos animais para a alimentação”. Diz também: “É contrário à dignidade humana fazer os animais sofrerem inutilmente e desperdiçar suas vidas. E igualmente indigno gastar com eles o que deveria prioritariamente aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas.” Portanto, os animais são dons de Deus para o homem, merecem nosso carinho e cuidado, mas não podem ser comparados, em dignidade, ao ser humano.
Quem dá mais atenção e carinho aos animais do que às pessoas não encontrou o sentido da vida. Quem considera a vida do animal como inviolável, acaba se afastando das pessoas, tende a negar todo tipo de sofrimento e a comparar-se aos animais.
Quem é capaz de sacrificar o animal por amor do ser humano, tende também a sacrificar o seu corpo corruptível em vista da vida eterna.
No início da Igreja, Deus deu uma visão de diversos animais a São Pedro e lhe disse: “Levanta-te, Pedro, mata e come!” (cf. At 10, 10-16). Ele, como judeu, não comia carne de porco e outros animais considerados impuros. Mas Deus o queria instruir para que ele pudesse evangelizar todos os povos. Era preciso desapegar-se de sua cultura para não entrar em choque com as outras culturas onde ele deveria ir. Uma das ordens de Jesus quando enviou seus discípulos em missão foi: “Comei o que vos servirem” (Lc 10, 8).
Ora, a Igreja não obriga nem impede ninguém de comer carne, mas ensina a ciência e a sabedoria de Deus na ordem da Criação.
“Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (ICor 11, 31)

Carina Nardello


1.    Catecismo da Igreja Católica, nº 2417 e 2418.

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