" É feliz quem a Deus se entrega e orienta seus passos no Senhor! " (sal 1)

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10 de outubro de 2016

REZAR SE APRENDE REZANDO

Todos nós precisamos saber rezar. É tarefa principal, mas não única do cristão.
Rezar se aprende rezando, assim como falar se aprende falando.
Será que eu já aprendi a rezar? Assim como falar bem é uma arte, rezar exige disciplina.
Entre vários santos, a Igreja tem dois mestres de oração: Santa Teresa d´Ávila e São João da Cruz. Portanto quem quer rezar deveria conhecer os escritos destes dois santos. Vamos agora conhecer uma parte do ensino deles, baseando-nos na Sagrada Escritura.
Deus é o nosso interlocutor na oração. Quando rezamos queremos falar com Ele. Mas Deus está envolto no mistério. Devemos romper o véu para chegar até Ele e estabelecer uma relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro.
No antigo Templo de Jerusalém havia um véu que cobria o espaço sagrado. Para passar esse véu era preciso ser sacerdote e só o Sumo Sacerdote podia passar o véu do Santo dos Santos, que era o espaço onde estava o altar dos perfumes e a Arca da Aliança. Este véu se rompeu quando Jesus foi morto. Agora nós temos acesso a Deus, mas por Jesus! Jesus rompeu o véu que separava o povo Dele.
Então Jesus é o modelo e mestre de oração. O Evangelho diz váriasvezes que Jesus rezava. Ele buscava lugares para estar a sós com o Pai (cf. Mt 14, 23).
Como homem, Jesus segue o caminho da psicologia humana, que nos ensina que a nossa atenção não pode estar ao mesmo tempo em duas coisas. Quando queremos fazer duas coisas ao mesmo tempo, uma delas será movida pela rotina, pelo “piloto automático”. Na oração a nossa atenção deve se fixar inteiramente em Deus.
Você sabe qual foi a melhor oração já feita sobre a face da terra? Qual a melhor oração que Jesus fez? Foi aquela no Getsêmani, na suprema angústia, onde Jesus se afastou para rezar sozinho e disse: “Pai, se é possível, que esse cálice passe sem que eu o beba... Mas não se faça a minha, mas a Tua vontade.”
Jesus também ensina os discípulos a rezar. “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai em segredo” (cf. Mt 6,6) Quem já rezou assim sabe da profundidade e beleza desse encontro. Para rezar é preciso estar a sós com Deus.
O Evangelho narra (cf. Lc 10, 41s) que Marta se ocupava de muitas coisas, mas Jesus ensina que Maria escolheu a melhor parte. Também à samaritana, Jesus se revelou quando estavam a sós no poço e disse-lhe: “Se conhecesses o dom de Deus, ele te daria a água viva” (cf. Jo 4, 10). E em Ap 3, 20 diz: “Eis que estou à porta e bato, se alguém me abrir, cearemos eu com ele e ele comigo”; ou seja, a sós.
Jesus também ensina que não se deve rezar como os fariseus, que achavam que a oração devia ter muitas palavras bonitas e rezavam nas praças. Santa Teresinha ensinou o caminho da simplicidade. Numa relação de amor, não é necessário muitas palavras.
Na linguagem dos computadores, para rezar temos que fechar todas as janelas. E a primeira coisa que aparece é um escuro, mas aos poucos essa escuridão se ilumina.
São João Maria Vianney conta que perguntou a um agricultor, que diariamente entrava na Igreja para rezar: “Como que tu rezas? O que tu dizes para Deus?” E ele respondeu: “Eu não digo muita coisa... eu só olho para Ele e Ele olha para mim”. Esse agricultor havia descoberto o que é a oração.
Entretanto, a oração da Igreja é a liturgia e a maior parte das nossas orações são comunitárias, então como fica a oração a sós? Há quem diga que quem reza sozinho é alienado, mas não é nada disso. Na verdade, quando aprendemos o caminho da oração, a missa tem outro sentido.
Então nossa oração comunitária e litúrgica deve primeiro nos fazer atingir o mistério. Isso é muito importante! O padre não pode sair dum estádio de futebol e ir rezar a missa. Mesmo que ele tenha preparado o sermão, a missa pode até ser muito bonita, mas será que ele entrou no mistério?
E isso serve para todos nós, também os leigos. Quando vou à Igreja posso e devo cumprimentar as pessoas como manda a educação, mas depois, joelhos dobrados, vou me encontrar com Deus! Santa Teresa ensina que é importante sempre lembrarmos com quem vamos nos encontrar. Por isso a liturgia sempre começa com o ato penitencial: para olharmos para nós mesmos e vermos se estamos bem vestidos para nos encontrar, não com qualquer um, mas com o próprio Deus! Primeiro devo recuperar a minha veste batismal, tirar as manchas, sacudir a poeira.
Assim a oração comunitária tem um valor todo especial, sobretudo a missa, mas eu tenho que me encontrar com Ele, como Ele quer. É necessária essa consciência. Tenho que deixar minhas preocupações lá fora, por melhores que sejam.
“E Deus que vê no segredo te recompensará!” (cf Mt 6, 6b)


Pe. Aldo Lorenzoni
(Pregação do dia 14/07/2016 no Grupo de Oração São Francisco de Paula)

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